segunda-feira, 8 de março de 2010



Estamos em pleno Dia Internacional da Mulher, feriado nacional em Angola. Hoje como, noutros dias, aprecio vários episódios dignos de relato. Quase sempre me abstenho, quer por falta de tempo quer por pudor.
Uma das melhores sensações é atestar o depósito de combustível. Aposto que nenhum de vós algumas vez pagou o diesel a 22 cêntimos. Pois não? Não deixa de ser curioso como num mundo global ainda á possível tal coisa… mas é!
Foi com a situação agradável de pagar tão pouco que me desloquei ao café para tentar beber a minha Frize. Continua em falta mas consigo dispor de uma Água das Pedras. O café Delta também não estava mau. Claro que estes produtos não são a preços comparáveis com os inflamáveis. Num estabelecimento normal a despesa orça em algo semelhante a 2,5 Euros. É da logística… Dizem!
Uma jovem catorzinha entrou para adquirir pão. A sua cabeça ostentava algo de cores garridas que à primeira vista me pareceu um turbante. Pensei para mim mesmo: com cerca de 27 graus de temperatura aquilo deve cozer os miolos. Engano meu. Não era um turbante mas um balão de Santo António, daqueles que parece um fole de uma concertina… claro que é muito mais fresco, mais suportável.
O uso de balões e fogos de artifício, é um costume levado pelos portugueses para a África e Brasil e está relacionado com o tradicional uso das fogueiras e com os seus efeitos visuais. Fogos de artifício e espectáculos pirotécnicos fazem parte essencial da festa. Em Portugal, colam-se pequenos papéis nos balões com desejos e pedidos escritos neles, ou as tradicionais quadras de Santo António, expressão da literatura popular:

“Confessei-me a Santo António,
Confessei que estava amando.
Ele deu-me por penitência
Que fosse continuando.”

E, hoje é a festa da mulher. Presumo que terá sido por isso que a jovem resolveu adornar a cabeça daquela maneira.
Bem a propósito, pude ouvir um debate na RNA sob o tema “O papel da mulher na economia”. Bastante curioso. Primeira curiosidade: o painel compunha-se apenas de homens. Decorrentes dessa primeira curiosidade, muitas outras aconteceram no debate. Resolvi destacar a de um dos paineleiros, um padre, que deixou escapar a seguinte afirmação:
- “Eu aceito a igualdade. No entanto, é preciso cuidado com a atribuição de percentagens para que as mulheres não se entusiasmem demasiado. Há que não esquecer o conceito bíblico da hierarquia: No céu, primeiro Deus, depois Jesus. Na terra, primeiro o homem, depois a mulher.”