domingo, 12 de junho de 2011

A Globalização pessoal portugaleza...

Falar do impacto da globalização na Europa Unida é já falar da UE, ela própria um fenómeno de globalização regional com largo impacto nas sociedades aderentes ao nível do movimento de bens e serviços, capitais, tecnologias e pessoas.
Gosto sempre de tentar passar um pouco à margem das opiniões tidas como aceites, pela simples razão de que o que é aceite, não contempla a mudança. Nem sempre consigo, a força das influências é gigantesca, mas tento.
A globalização tal como outros movimentos sociais, alguns mais repentinos que outros, aparecem sem pré-aviso, e são razoavelmente irreversíveis. Não adianta ir ou estar contra. Todos os movimentos acontecem mais ou menos espontaneamente e trazem coisas boas e más. Só nos resta a adaptação e, saber, ser capaz de acompanhar os movimentos do “nosso queijo”.
O mundo é global e será, talvez, mais ainda no futuro próximo e longínquo. Não sabemos ao certo que irá acontecer, mas parece claro que a globalização irá originar novos modelos de governação e de convivência social. É esperar para ver. Também não adianta muito acreditar em previsões. O que mais enche a história são previsões falhadas de quase todos os analistas políticos e económicos. Lá que parece que precisamos de ser globais ainda que regionalmente, parece, ou então estaremos “out” e “sem queijo”.
Há muitas opiniões que convergem no sentido de atribuir aos portugueses e aos descobrimentos a origem da globalização. Discordo completamente. Não deixa de ser verdade que os navegantes do séculos XV e XVI, deram um enorme contributo para a redução das distâncias geográficas e, portanto e por inerência, à globalização. Porém, convém não esquecer que os descobrimentos são, também, um resultado da globalização. Não podemos escamotear que a maioria dos navegantes eram genoveses e que os cartógrafos eram catalães Aliás como já tinha acontecido com a construção de catedrais e outros monumentos por essa Europa fora, com a intervenção global dos pedreiros livres maçónicos. Não nos faltam exemplos desde o comércio fenício às invasões bárbaras, do império romano e otomano ao domínio árabe, sem esquecer os domínios e impérios asiáticos, dados à luz por Marco Pólo. A religião católica e a “expansão da fé”, passando pelas cruzadas, pela evangelização até à inquisição, a maçonaria, já referida e outros movimentos análogos como as ordens religiosas, os templários e outros. Tudo são fenómenos ligados e originados na globalização.
Podemos afirmar sem receio de falhar, que tudo terá tido inicio na pré-história, no acontecer das primeiras aproximações sociais, das primeiras trocas comerciais, dos primeiros actos de saque e vandalismo, quando os homens começaram a tentar comunicar entre si e a formar comunidades. As pinturas rupestres têm muitas interpretações, mas são no essencial um esforço de comunicação, uma evidência do homem social…
Dessa forma, acabaram por influenciar hábitos, absorver novas informações, criar e mudar conceitos e estabelecer relações de poder. Desde a antiguidade o homem tenta ajustar-se a um processo irreversível a que na actualidade chamamos globalização.
Diria, assim, que a globalização está inerente à espécie humana, à sua história e à sua evolução.
O intuito principal desse processo consiste em derrubar as fronteiras que limitam países e as barreiras que dividem pessoas e sociedades, atenuando a burocracia, trabalhando de forma participativa, com parcerias, diminuindo distâncias geográficas e, contribuindo para um novo modo de fazer as coisas. Por este processo se transformam, positiva ou negativamente, os métodos de comunicação, trabalho, comércio e convivência social.
Globalização foi, assim, o termo preferido para classificar a expansão a todo o mundo do movimento de bens, serviços, capitais, tecnologias e pessoas. Em suma, globalização significa que cada vez mais países, ricos ou pobres, participam na economia mundial, num processo que está a mudar o modelo do comércio mundial e a influenciar a nossa vida quotidiana.
Essa influência não se põe apenas ao nível do consumo de bens mas também ao nível da vida das pessoas com interferência directa e óbvia na sua atitude e na sua cultura. São também vários os exemplos que poderemos apreciar desde a romanização às cruzadas e à evangelização, passando pelas emissões das rádios norte americanas, pela ilusão de Hollywood e pelo sonho americano do pós guerra, pelas não muito longínquas manifestações das segundas e terceiras gerações de imigrantes muçulmanos em Paris até aos mais recentes movimentos sociais e políticos nos países do norte de África.
Todavia o mundo não se move todo à mesma velocidade e a UE é um flagrante exemplo dessa afirmação e, como já afirmámos, ela mesmo, um efeito ou consequência da globalização.

A Europa não se move, portanto, toda à mesma velocidade. Há países menos preparados como problemas de envelhecimento e de educação.
As pessoas serão certamente, como parte mais sensível de todo o sistema, as mais afectadas pelas mudanças verificadas.
O fenómeno designado "Globalização" entra pela porta da frente, por arrombamento sem aviso prévio ou preparação. Exige novas e diferenciadas posturas das pessoas. Tempos houve em que elas eram apenas influenciados pela circunscrição das organizações onde trabalhavam, pela comunidade e geografia em que convivam. Pessoas com recursos e formação educacional mediana ou mesmo reduzida, dispondo de algumas habilidades podiam viver confortavelmente nesse ambiente.
O mercado de hoje é o mundo e as exigências de preparação das aumentaram, e aumentam, em grande escala. Este mercado é cada vez mais exigente em formação e competências. A competição derivada da Globalização é mais acentuada e esboça um quadro crescente de competências. A educação continuada parece ser a chave. Cada hora dedicada ao desenvolvimento pessoal, intelectual, emocional e espiritual, é cada vez mais preciosa. O conhecimento humano avança numa velocidade nunca vista antes. As carreiras profissionais passam por grandes e importantes mutações.
Estudos e projecções mostram que uma pessoa com 40 anos de trabalho tem grande possibilidade de ter exercido uma única profissão na vida. Já os jovens que ingressam hoje no mercado de trabalho têm grandes possibilidades de vir a exercer, no mínimo, três ou quatro profissões diferentes. Tudo isso, decorre deste fenómeno que acelera as mudanças económicas, sociais e tecnológicas.

Um dos factores responsáveis pelo crescimento do desemprego é político-económico com excessivas e incompetentes interferências governamentais. Outro não menos importante é a formação e a educação. Os países desenvolvidos, resolveram em primeiro lugar a educação.
Cabe aqui uma primeira alusão a Portugal. O tal país que segundo alguns eruditos terá sido a origem do prodígio. Não fomos claramente capazes de mudar. A tecnologia continua a ser importada e a educação cheira a mofo e a bolor. Os incentivos europeus à modernização estão enterrados em “Pajeros” para a agricultura, as vias de comunicação previstas para 1991 ainda não estão terminadas, a incapacidade de apresentar e gerir projectos de formação de competências está patente nas fraudes das empresas e das pessoas responsáveis pelo insucesso dessa componente. Se viram as comemorações do 25 de Abril, deste ano, em plena crise do resgate da dívida externa portuguesa, terão tido a oportunidade de ouvir muitos dos arautos da crise, agora vestidos de entendidos salvadores e ainda montados ou “encavacados” no poder.
Ainda assim temos de continuar a viver e a opção é seguir em frente. Formar um homem novo com novos modelos mentais para um mundo novo que definitivamente se espera admirável, deve ser a preocupação que deve nortear as nossas acções do futuro que começou há 2.500.000 anos atrás, com o advento do homo sapiens, sapiens tanto quanto sabemos hoje.
Embora ainda haja muita resistência por parte de muitos, não podemos negar que a globalização tem transformado o rumo das coisas.
Pode dizer-se que tudo isso foi possível devido ao relevante surgimento da internet e de cada vez mais sofisticados meios de comunicação. Estes aspectos têm contribuído para a intensificação das relações internacionais, aproximando os interesses que conduzem a sociedade, nos aspectos políticos, económicos, tecnológicos e sociais. Assim se comprova a grande contribuição do avanço tecnológico no actual intercâmbio mundial. No mundo globalizado torna-se possível homogeneizar o conhecimento entre os países e conhecer a cultura organizacional de uma empresa que esteja espalhada em todos por todos os continentes em tempo real.
É temeroso fazer um exercício de futurologia, mas acredito que a evolução da espécie terá desenvolvimentos nunca vistos, nos próximos tempos.
No caso português e como disse o general Eanes em 25 de Abril, falhámos. Aliás estavam lá quase todos os falhados, a começar pelo cicerone e a terminar no referido orador, passando por alguns hesitantes ainda vivos…
Esperamos que os eleitos saídos das recentes eleições portuguesas possam fazer algo mais e que a sua experiência de vida, basicamente feita de colar cartazes e agitar bandeiras, possa ao menos mudar algo.